ALGUÉM VAI TER QUE CEDER

de Denilson Pereirah

Levando em consideração a máxima de que “na política, nada é definitivo”, a conjuntura piauiense para as eleições de 2010 segue a risca o quadro mais imprevisível de uma eleição que há muito não se via. São tantos partidos querendo disputar o mesmo cargo que a tal da base aliada que todo petista comenta foi pro espaço.

Vamos começar falando daquele que está em primeiro lugar nas pesquisas: JVC. O nome mais lembrado pelos piauienses em todas as pesquisas divulgadas (talvez pelo fato de o Paraíba ser sucesso em qualquer lugar) e ter investido muito na expansão de seu partido, o PTB, com muitas aderências de prefeitos no interior do estado, deu uma reviravolta no cenário político por ter sido o primeiro a se lançar no panorama como pré-candidato. E mais, o PTB detém atualmente 73 prefeitos e 409 vereadores, muita coisa não? JCV já mostrou que não entrou no páreo por brincadeira, e, só pra constar, dinheiro para bancar a sua campanha e de mais dois governadores ele tem.

Do outro lado, Wilsão, com cara de eterno governador em exercício, sendo positivista e simpático com todo jornalista “mala” que aparece perguntando quando sua candidatura vai decolar, ainda não mostrou pra que veio. Mas se engana quem pensa que sua campanha anda fraca. Como articulista e vice-governador, o sonho de dar as cartas no estado é antigo. A principal jogada de Wilsão também fora a captação de prefeituras e o fortalecimento das bases do PSB no interior do estado.

Marcelo Castro, do PMDB, saiu de gaiato lançando sua candidatura, que, segundo os próprios militantes peemedebistas seria uma forma de mostrar a força do “maior partido do Brasil”, já que durante todo o governo W.Dias, o PMDB foi o mentor intelectual de muitas jogadas políticas. Talvez os peemedebistas vejam ai, a oportunidade de recuperarem o espaço e a imagem defasada pelo partido enquanto só havia uma liderança estadual visível, o então senador da república, Mão Santa. Marcelo Castro e Cia estão dando “um tiro no escuro”, mas talvez saia até uma vaguinha para o senado, já que, seu maior aliado, o PT, está “com uma mão na vela e outra no soro”, como diria uma amiga jornalista, pela candidatura desastrosa de Antônio Neto. Além disso, deu um soco daqueles no “pé do estômago” de Mão Santa, que cedo ou tarde vai pedir suas contas do partido, para alivio de uns e desgraça de outros.

Próximo! Silvio Mendes, “o cara” da capital, com aquele jeito meigo e afável de tratar até os ambulantes da Frei Serafim (nada contra ambulantes), diz não ter interesse, mas sonho antigo do PSDB, o governo do estado, pode se concretizar através de uma boa campanha de marketing. Sinceramente, não creio que Silvio vai ter a coragem de deixar a prefeitura de Teresina para se aventurar num duelo de lulistas, se bem que ele tem um discurso bem parecido com o “Pai das esmolas”, mas seria loucura deixar à capital, pois o PSDB é fraco no interior do estado e os votos que ele tem na capital estão ameaçados se W.Dias se manter no governo e apoiar o “sem sal” do Antônio Neto.

Falando em Antônio Neto, é perceptível a influência dele junto ao governador do estado. Porque, pra ser indicado a pré-candidato de governo de estado, sem boa parte da população piauiense nem o conhecer, ou é muita coragem de W.Dias, ou só tendo muita influência mesmo. Pra quem já ficou pertinho de A.Neto olha pra ele e pensa: “Oh meu Deus, esse ‘bichim’ não vai pra lugar nenhum”. Mas ele é esforçado. Não tem o mesmo tato dos atuais candidatos que ai está, pois ele faz a linha “técnico” – um tipo de político que foi subindo de cargo por cargo dentro do partido que milita e não necessariamente teve de passar pela aprovação do povo disputando eleições, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff é dessa safra. Uma peculiaridade deste tipo de político é que eles sempre desempenham um bom papel em empresas ou secretarias importantes, como a Secretaria da Fazenda de A.Neto.

Não sei bem, mas algo me diz que essa candidatura não vai vingar. Seria mais estratégico apresentar a tendência mais recente na política aos piauienses e “empurrar” uma mulher rumo ao Palácio de Karnak. Uma dobradinha entre Dilma e uma piauiense, entende? Até Março de 2010 muita coisa pode mudar, não é verdade?

E o nosso “indiozinho”, Wellington Dias, onde vai parar nesta história? Tanto se falou sobre sua candidatura para o senado, mas sempre que é questionado desconversa, faz jogo-duro, diz que não sabe ainda sem rumo, uma hora diz que “sim” outra que “não”. Mas uma coisa é certa, “raposa velha não se deixa apanhar em armadilha”. E a oportunidade de se tornar Senador, pode sim, ser uma armadilha para W.Dias. Wellington Dias sabe que não ficando no governo até o fina, além de entregar a máquina ao PSB, fortalecendo Wilsão, pode até levar a vaga de Senador, mas sua influência e expansão do PT no estado diminui. O PT como a maioria dos partidos no Piauí sofre com a carência de lideranças. São sempre os mesmo. São sempre eles que aparecem na TV, dão entrevistas para rádios, jornais e internet. Mas, se o vosso digníssimo governador for egoísta o bastante para se estabelecer na carreira de político e quiser galgar vôos mais altos, vai deixar a “petezada” do Piauí. E assim o circo fica armado, pois é ele quem separa as muitas picuinhas internas que o PT tem (e sempre teve).

Outro grande fator da permanecia de W.Dias é o “sonho petista”, TERESINA. Não sei qual o tamanho do sapo que enterram no comitê do PT em Teresina, mas deve ter sido um cururu gigante. Com W.Dias até o final de seu mandato, a dedicação dele para a campanha de A.Neto ao governo do estado e de Antônio José Medeiros (isso mesmo, o Secretário de Educação) para o Senado vai ser a “grande sacada” do PT. Qualquer um dos Antônios entrando é lucro. Ai vem a pergunta, e Wellington? Wellington se mantém na articulação política do PT, quem sabe como presidente e assim vai poder está em todos os eventos oficiais e dar “pitaco” em tudo se mantendo na mídia. E dois anos depois, em 2012, o Chek-Mat, a cartada final, Wellington se candidata a prefeitura de Teresina. Só resta saber se o Projeto de desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores para o Piauí vai ser o mesmo para Teresina, se for, são vinte (longos) anos de muitas estradas, somente estradas.

~ por dpereirah em Março 26, 2009.

Uma resposta to “ALGUÉM VAI TER QUE CEDER”

  1. Gostei muito da publicação…estou muito orgulhosa de vc!!
    Espero q continue sempre assim conquistando seu espaço com carisma dedicação e prazer!!Trazendo informaçãoes de muito interesse para a sociedade!
    Um bjão

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