Partido, igreja e televisão

•Agosto 19, 2009 • Deixe um comentário

Por Eugênio Bucci em 19/8/2009

O rumoroso processo contra a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que transformou em réu o seu líder maior, bispo Edir Macedo, tem como pano de fundo um fenômeno que não tem sido pautado pelos órgãos de imprensa. Mais que a confluência entre fé e finanças, tradicionalmente problemática, esse fenômeno revela a conformação, no Brasil recente, de um tripé no mínimo preocupante: radiodifusão, partido político e igreja.

Recapitulemos rapidamente o teor das recentes acusações contra a IURD antes de entrarmos na análise desse fenômeno – que será apenas uma análise preliminar. Segundo o Ministério Público, os dirigentes da igreja teriam aplicado recursos obtidos de doações de fiéis na compra de bens e empresas em seus nomes pessoais. Agora, cabe à Justiça avaliar se eles aumentaram ou não aumentaram o seu patrimônio pessoal por meio da apropriação indevida dos donativos.

A lei brasileira proíbe essa prática, e as razões para isso são fáceis de entender. Igrejas não pagam impostos. A lei autoriza que o dinheiro arrecadado pelos religiosos seja inteiramente investido em obras de caridade ou na própria igreja, atividades que não têm finalidade lucrativa. Já as empresas privadas, estas sim estão obrigadas a recolher tributos, pois seu negócio tem finalidade de lucro. Caso alguns milhões de reais vindos de doações, sobre os quais não recai nenhuma taxação, migrem para abastecer negócios privados, com fins de lucro, a burla resulta evidente. Constitui crime.

No que se refere à ação criminal em curso, a Justiça decidirá. Mas as associações crescentes no Brasil entre a fé organizada, a radiodifusão e, às vezes, partidos políticos, essas parece que prosseguirão. Sequer têm sido estudadas, discutidas, compreendidas em sua complexa extensão. Eis o pano de fundo dessa história toda – pano de fundo que mal visualizamos.

Tratemos um pouco disso, então. Vejamos como tem recrudescido entre nós esse tripé: radiodifusão, partido político e igreja. Os três elementos deveriam caminhar separadamente, mas tem se aproximado cada vez mais. Quando se juntam, constituem um vetor que aponta para o poder. O tema é crucial para os que acompanham as comunicações no Brasil.

O tripé que espreita o poder

A radiodifusão, o primeiro dos três pés, é serviço público. Sim, ela pode ser explorada por empresas particulares, mas apenas mediante concessão pública. A Constituição estabelece, em seu artigo 221, que a radiodifusão deve dar preferência a finalidades “educativas, artísticas, culturais e informativas”, pois ela cumpre uma função de interesse comum e, nos conteúdos que veicula, não é desejável que as predileções de uns – predileções religiosas ou partidárias, por exemplo – difamem ou prejudiquem as preferências dos demais.

É por isso que, sobre a radiodifusão, como todos sabemos, pesam regulamentações que simplesmente não existem para os veículos impressos – que não operam a partir de concessões públicas. Isso significa que, de acordo com os princípios democráticos, que foram acolhidos pela Constituição, a radiodifusão é regida por regras que preservam o interesse geral, pois, vale repetir, é serviço público.

Os partidos políticos pertencem a outra esfera e devem assim permanecer, tanto que a lei faz restrições a vínculos entre candidatos e as emissoras. Um exemplo: o artigo 54 da Constituição impede que senadores e deputados mantenham contratos com empresas concessionárias de serviço público (e as emissoras são exatamente isso, concessionárias de serviço público).

A legislação eleitoral proíbe que candidatos a postos eletivos mantenham programas de rádio e televisão durante o período eleitoral. Essas restrições têm o objetivo de evitar que a radiodifusão deixe de ser um serviço público (serviço para todos) e se converta em serviço particular (para benefício de poucos) – ou seja, serviço que tem por único objetivo a promoção de interesses particulares. Esse tipo de legislação busca diminuir o risco de que as emissoras sejam instrumentalizadas por alguns candidatos em prejuízo de outros.

Se a lei consegue de fato atingir suas finalidades é outra conversa. Qualquer um é capaz de apontar dezenas de deputados e senadores que são, mais do que próximos, acionistas, donos ou dirigentes velados de emissoras. Não deveria ser assim, mas, infelizmente, é assim que é. Em várias regiões brasileiras, há clãs que se mantêm no poder graças ao uso abertamente partidário da radiodifusão.

Deixemos de lado essas tragédias, ao menos neste artigo. Tentemos aqui nos concentrar na lógica que orienta esses princípios democráticos. É uma lógica sábia, ainda que tão negligenciada. Tentemos identificar, apenas isso, identificar os motivos pelos quais a democracia, para funcionar melhor, tende a afastar, ou pelo menos tende a querer afastar a política partidária da condução dos meios de radiodifusão. Tentemos entender por que, para a própria saúde da democracia, é fundamental que a radiodifusão, como serviço público, e partidos políticos – que constituem feixes de interesses privados, mesmo quando se pretendem universais – operem segundo regras próprias, independentes uma da outra. Esse esforço nos mostrará que a radiodifusão articula e dá vida ao espaço público, espaço comum a todos, onde as disputas pelo poder têm lugar.

Os partidos são partes interessadas no poder e, portanto, não podem gerenciar as emissoras que prestam serviço público. Isso é – ou deveria ser – tão simples como é simples entender que o técnico de um time de futebol não pode dar ordens para o juiz e para os bandeirinhas. Isso é – ou deveria ser – tão óbvio como seria óbvio entender que a concessionária de uma rodovia federal não pode impedir a passagem dos automóveis cuja cor a desagrade. A concessionária de uma estrada mantém a estrada em bom estado, de modo a melhor atender os viajantes – ela não é dona da estrada. Do mesmo modo, a concessionária de uma freqüência de ondas eletromagnéticas não é dona da freqüência; ela apenas a explora para melhor atender os cidadãos.

E quanto às igrejas? Desde que a democracia assumiu como valor fundamental o respeito à liberdade religiosa de cada um – separando de uma vez por todas o Estado e a religião –, as igrejas pertencem à esfera privada. Por isso, dentro da lógica democrática, elas ocupam um terceiro campo em relação aos outros dois. Se emissoras de TV são serviço público e dependem de concessão do Estado para ser objeto da atividade econômica de particulares, as igrejas nascem, prosperam e morrem sem que o Estado seja chamado a interferir em seus destinos. Nem imposto elas pagam.

Se os partidos políticos, nascidos também na esfera privada, articulam-se com o objetivo de conquistar postos de comando da máquina pública, as igrejas cuidam de outros assuntos, cujo alvo não deve ser o poder político. Se o Estado é laico, não é concebível que uma religião pretenda disputar cargos eletivos para, a partir deles, imprimir aos poderes da República a sua doutrina particular. Lembremos, outra vez, a Constituição. Agora, o artigo 19:

“É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.

Outra vez, alguém vai dizer que isso tudo não passa de declaração inócua de boas intenções. Dirá que, na prática, a promiscuidade entre igreja e Estado no Brasil é intensa, é histórica etc., etc., etc. É verdade, mas, de novo, não importa. Não aqui. O objetivo deste texto não é denunciar que as leis são ineficazes. O meu propósito, repito, é identificar as razões de fundo da democracia nessa matéria. Importa visualizar, ainda que de longe, os motivos pelos quais a cultura democrática faz mais sentido quando sabe manter em seus domínios próprios a radiodifusão, a religião e a política.

No ideal democrático, se um cidadão gosta de ser dono de uma cadeia de TV, ele será concessionário de serviço público, mas, caso ele faça essa opção, não poderá ser ao mesmo tempo, digamos, um senador. (Tudo isso, claro, segundo o espírito da lei, segundo aquele ideal antigo, que anda meio empoeirado, mas que vive lá, mesmo que esquecido.) De outro lado, se um sujeito se sente chamado por Deus e se consagra à vida religiosa, ele não está autorizado a, nessa condição, postular o poder para subordinar o Estado aos ditames de sua fé. O Estado, afinal, é de todos, inclusive daqueles que não comungam dessa fé. Se o Estado é de todos, também são de todos os órgãos públicos, as estatais, as universidades públicas e… os serviços públicos – serviços públicos como a radiodifusão.

As telerreligiões e seus desdobramentos políticos

O proselitismo religioso pela TV se popularizou nos Estados Unidos e só depois aportou no Brasil. Aqui, fez escola não apenas entre evangélicos. Também o catolicismo se arrisca em redes próprias de emissoras. O uso de câmeras, microfones, estúdios, holofotes e antenas para pregar a suposta palavra do Senhor, segundo receitas variadas, é hoje um denominador comum entre seitas, agremiações confessionais e igrejas nacionais ou mesmo globalizadas. Nem de longe, essa vertente é uma exclusividade da Rede Record, reconhecidamente identificada com a IURD. Até mesmo no “campo público” – o das emissoras não-comerciais – o fenômeno se verifica. Várias emissoras públicas e mesmo estatais reservam horários em suas grades para a transmissão de missas católicas e apenas raramente, ou quase nunca, enxergam cerimônias de outros credos.

Também nas televisões públicas, portanto, é possível localizar a opção preferencial por uma forma de culto, o que equivale à segregação dos demais. A Record apenas chamou atenção, hoje, porque atingiu dimensões continentais. O que incomoda, nela, não é a promiscuidade entre fé e radiodifusão: o que nela incomoda é a escala, a proporção, a magnitude. Não fosse isso, pouca gente iria perder seu tempo falando disso.

O problema, entretanto, não é de escala, mas de conceito. Religiões e emissoras deveriam ser negócios muito mais separados do que de fato são. Se quiséssemos seguir à risca o ideal democrático e o que estabelece a Constituição, até poderíamos considerar admissível que igrejas comprassem faixas de horários em algumas programações, mas jamais toleraríamos como um dado natural que igrejas, de forma velada ou aberta, fossem simplesmente as proprietárias de grandes redes. Não toleraríamos porque, quando isso acontece, o caráter de serviço público da radiodifusão sai muito, mas muito arranhado. Ou mesmo mutilado.

No caso da Record e de seus vínculos com a IURD, há um terceiro elemento que deveria ser considerado: o Partido Republicano Brasileiro (PRB). Seu principal expoente no Congresso Nacional é o senador Marcelo Crivella, do Rio de Janeiro, também bispo (licenciado) da Universal. O partido soma apenas cinco parlamentares em Brasília (dois senadores e três deputados federais), cujos nomes costumam figurar nas listas da chamada “bancada evangélica”, que não para de crescer. O PRB se posiciona bem. Seu presidente de honra é ninguém menos que José Alencar, vice-presidente da República. Mangabeira Unger, um de seus filiados, foi titular de uma pasta no ministério do governo Lula.

Quais as reais relações entre a IURD e o PRB? Por enquanto, essa pergunta fica no ar.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=551JDB018

Vinte e poucos anos…

•Junho 13, 2009 • Deixe um comentário

Oriundos de uma esquerda socialista com grande ênfase nas idéias marxistas, esses loucos políticos na maioria das vezes se mostram dóceis, são extremante habilidosos, discursam pobreza e igualdade entre classes e a principal característica é mostrar desapego ao poder. Mas não se engane, são calculistas, trapaceiros e pouco confiáveis. Chávez, Evo, acreditem, já foram bonzinhos e pregavam a democracia. O melhor exemplo deste tipo de ser é o nosso líder (???) maior, Luis Inácio Lula da Silva, para alguns, Minha Anta Lula.

Não tire por esta carinha de quem veste roupa nova, ele e seus amiguinhos querem instaurar o novo modelo de ditadura, a “ditadura democrática”. A lavagem cerebral começou há muito tempo. Vamos ficar de braços cruzados?
Sindicalista dos metalúrgicos do ABC paulista, Lula e sua trupe (a mesma do ‘Mensalão’, das ‘Passagens Áreas’, do ‘Luz para Todos’ e do mais novo empreendimento o ‘Minha Casa, minha Vila’, digo, Minha Vida) conseguiram em pouco mais de 25 anos, formar o maior partido país, atingir o cargo máximo para qualquer político e ainda ser chamado de “o cara” pelo presidente dos EUA (tadinho do Obama…).

Quem não lembra de Lula em comícios fervorosos. Barbudo e de boné, andava longe de ser político mais parecia um mendigo. Bom, pois foi nestes mesmos comícios que Lula percebeu que ninguém iria eleger para presidente do país um louco que mais cuspia do que falava. Então, coloco seu mais ousado plano em prática.

Cortou os cabelos, aparou a barba, sacudiu a poeira e deu a volta por cima. Em 2002, Lula regressa, e se aproveitando do desgaste do governo FHC, e sem ninguém melhor pra votar, o povo brasileiro, assinou o que logo, logo, se dará como a primeira “ditadura democrática”.

Como assim “ditadura democrática”, Denilson??? Calma nobre leitor. Explico.

Diferente dos outros políticos que vieram após a chamada redemocratização, Lula é o único que tem raízes e história na linha de pobreza, primeiro ponto a seu favor. Pegou um país, que, mais cedo ou mais tarde se tornaria e selaria de vez uma economia forte, despontando mesmo que timidamente, em um processo industrial muito mais sólido que alguns países europeus, outro ponto para Luizim. Diferente dos outros governantes apostou suas fichas em propagandas sociais, cegou as pessoas para investimentos na educação e saúde e agora o Brasil “é um país de todos”.

Nunca na história desse país, se gastou tanto com propaganda institucional, e nunca, o retorno foi tão compensador. Lula tem hoje mais de 80% de aprovação em seu governo. Para os que o defendem, pode soltar rojões é muito, viu? Para os que têm o mínimo de senso critico as coisas não vão bem mesmo.Não sei se vocês sabem, mais o Partido dos Trabalhadores tem um projeto de governo em que se estabelece a meta de 20 anos no poder. Eles estipulam o tempo como ideal para balizar com o período de poder em que outros partidos passaram, como PSDB e PMDB. Acho que agora entendo Regina Duarte na propaganda do “Medo”.

Pra quem pensa que é Dilma a candidata do Partido dos Trabalhadores, engana-se, Lula é “macaco velho”, já viu que para um país com uma história recente de democracia, a idéia de terceiro mandato saindo da boca dele não soaria muito bem, por isso, se utiliza de um fantoche, pobre Dilma… “Nega até a morte” que não é a favor de terceiro mandato, mas é. Diz que Dilma irá concorrer às eleições, mas não esconde no rosto, o sorriso singelo de quem acabou de vestir roupa nova, lembra? E o que seria de uma ditadura, seu um ditador? Lula quer mais, muito mais. Sempre deixou claro que ele é o ‘dono a bola’ e vai de tudo para se manter no poder.

Ainda a tempo de reverter tudo isso. Não vamos deixar que tristezas do passado voltem a atormentar nosso presente. Vinte anos é muito tempo. O pior é saber que depois de vinte e poucos anos, eles vão querem mais vinte, e mais vinte, e mais vinte… E porque não dissemos nada, já não podemos dizer mais nada!

Mitologias: as dietas

•Maio 5, 2009 • Deixe um comentário

A neurose por emagrecimento no mundo atual é diretamente proporcional à falta de tempo no dia-a-dia. Como tem poucas horas livres, exceto para a TV, a maioria das pessoas come mal e é sedentária; logo, está mais e mais vulnerável à propaganda de regimes e exercícios milagrosos – que as fazem emagrecer por alguns meses e depois voltar ao que eram ou a situação pior. Há fenômenos que ressurgem periodicamente, como agora o da corrida (“cooper”, no passado), mas que são subprodutos das mesmas questões. O que menos se encontra é a tão alardeada moderação. O tom dominante é o exagero para cima ou para baixo.

O ponto é o seguinte: se você quiser emagrecer, precisa comer menos e melhor; reduzir doces, massas e gorduras, principalmente à noite. O resto é redundância midiática. Praticar esportes é para manter o peso e o condicionamento, afinal 30 minutos na esteira consomem menos que 400 calorias ou dois sucos de laranja. Esse papo de que caminhar uma hora por dia emagrece é bobagem, assim como essas dietas que suprimem um grupo de alimentos (a carne vermelha é sempre o diabo da lista, embora tenha proteínas dificilmente substituíveis), para não falar de regimes “da lua” e outros semi-esoterismos. Capas e capas de revistas anunciam “segredos” numa área em que eles não existem. Mas, tal como o silicone e a fast-food, seu apelo está em iludir o público com efeitos fáceis.

Já virar maratonista amador depois de certa idade, lamento, não vai lhe garantir vida mais longeva. Muito menos pele bonita. Se esse for o estilo de vida que deseja, parabéns e boa sorte. Mas não venha dizer que é uma espécie de existência ideal, como se passar duas ou três horas do dia se exercitando fosse uma prerrogativa de perfeição moral ou visual, não um vício narcisista em muitos casos (que poderiam ser batizados de “serotoninômanos”). Não dá para querer que todo mundo seja atleta. Três dias de atividade física por semana são mais que suficientes para um cidadão empregado que tenha filhos, vida social e cultural, etc.

A mania do emagrecimento é sintoma de uma sociedade que cada vez mais convive com a obesidade por mistura de fatores alimentares e genéticos. Olhar feio para pessoas que estão 5 kg acima do peso, como se fosse motivo de discriminação, é, para dizer o mínimo, irrealista. Não é preciso ter, sei lá, 10% de taxa de gordura para ter saúde, auto-estima ou beleza, itens que dependem de muitos fatores além da vontade e do dinheiro. Mas a boa forma física pode ter alguma chance quando não é exaltada como fonte de juventude eterna.

Daniel Piza – colunista do estadao.com.br

Dilma Rousseff é a dama de ferro com os pés no barro

•Abril 23, 2009 • Deixe um comentário

Jean-Pierre Langellier
LeMonde

Sobrenome: Rousseff; nome: Dilma; idade: 61 anos. Você não a conhece? Mas ouvirá falar dela, cada vez mais, até o fim de 2010, quando acontecerá a eleição presidencial no Brasil.

Há quatro anos ela detém o segundo cargo político mais importante do país: chefe da Casa Civil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma espécie de primeiro-ministro não oficial. É uma função exaustiva (“Um Paris-Dacar a cada dia”, ela diz), mas discreta, longe dos holofotes que se focam em Lula.

Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff

Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff

Uma discrição relativa, que já deveria ser tratada quase no passado. Pois Dilma, como muitos de seus compatriotas a chamam – evitemos “Dilminha”, uma familiaridade que ela não aprecia muito – está se tornando a estrela política do Brasil.

E isso, por uma razão muito importante. O presidente Lula, a quem a Constituição proíbe de disputar um terceiro mandato de quatro anos, a escolheu como sua princesa herdeira. A menos que aconteça algo inesperado, ela será a candidata em 2010 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), fundado por Lula em 1980, e no poder graças a ele desde 2002. Imaginemos que Dilma seja eleita: uma mulher, pela primeira vez presidente, oito anos após a eleição de um operário. Seria matar dois coelhos com uma cajadada só, e bom para a imagem da democracia brasileira.

Lula não possui herdeiro natural em um partido que ele domina com sua forte personalidade. A escolha de Dilma se impôs a ele aos poucos. É uma aposta segura. A futura candidata está na política desde sempre, e como! Ela é filha de um advogado comunista de origem búlgara. Esse intelectual bon vivant lhe transmitiu o gosto pela leitura e pelos cigarros. Ela tinha 15 anos quando ele morreu.

O golpe de Estado pelos militares em 1964 levou essa estudante idealista e determinada para o militantismo radical. Ela se juntou a uma organização que pregava a luta armada, casou com outro militante, de quem logo se divorciou, passou a estudar economia e mergulhou na clandestinidade após o endurecimento da ditadura no fim de 1968. Ela admirava Jean-Paul Sartre, os guerrilheiros vietnamitas e Fidel Castro. O encontro com um “velho” comunista de 31 anos, Carlos Araújo, que se tornaria seu segundo marido, a envolveu um pouco mais no combate.

Ela adotou nomes falsos, dos quais sua ficha de polícia ainda tem registro: Luiza, Estella, Marina. Aprendeu a manejar um fuzil, a fabricar explosivos ao mesmo tempo em que pregava a prioridade do trabalho político, da “luta de massa” sobre a ação militar. Ela não participou diretamente de nenhuma operação armada, mas esteve estreitamente associada à mais famosa delas: o roubo, no Rio de Janeiro em 1969, de US$ 2,5 milhões do cofre da amante de um ex-governador. Quando a polícia a deteve, em janeiro de 1970 em São Paulo, ela tinha uma arma em seu poder.

“Você não pode imaginar a quantidade de segredos que pode sair de um ser humano que é maltratado”, ela confessou recentemente. Será que ela se referia a ela mesma? As testemunhas de então se lembram que, depois de sua detenção, ela enfrentou com coragem 22 dias de torturas. Ela só saiu da prisão quase quatro anos mais tarde: “Tive tempo suficiente para aprender a tricotar e fazer crochê”.

Sua juventude agitada não causou nenhum arrependimento na ex-guerrilheira: “Nós éramos ingênuos e generosos. Queríamos salvar o mundo”. Ela certamente mudou sua visão e seus métodos: “Aprendi a importância da democracia. Mas tenho orgulho de não ter mudado de lado”.

Ela teve uma filha, Paula, se divorciou novamente em 2000, e no meio tempo teve uma brilhante carreira político-administrativa, especialmente como secretária de Minas e Energia em Porto Alegre, a maior cidade do Sul do país. Lula, a cujo partido ela filiou-se tardiamente, lhe ofereceu o mesmo posto em nível federal antes de lhe confiar em 2005 a “Casa Civil”, onde ela rapidamente adquiriu a reputação de uma “dama de ferro”.

Seus trunfos? A inteligência, a força de trabalho, as qualidades como administradora. Seu defeito? Ela nunca passou pela prova das urnas. Sob aconselhamento e auxílio de Lula, seu principal defensor, Dilma Rousseff tenta se tornar conhecida. Ela põe “o pé no barro”, como se diz aqui. Há vários meses ela está em formação pré-eleitoral acelerada. Ela acompanha com frequência o presidente em suas atividades oficiais, divide os palanques com ele, cede entrevistas à imprensa. Várias vozes do PT se puseram à sua disposição para tecer uma teia nacional.

Apesar da imensa popularidade de seu principal defensor, sua vitória em 2010 não é garantida. Ela terá como provável adversário um homem de peso, José Serra, governador de São Paulo e ex-rival de Lula nas urnas, derrotado em 2002.

Como é de se esperar no Brasil, paraíso da cirurgia estética, Dilma já mudou de visual. Alguns golpes estratégicos de bisturi rejuvenesceram e suavizaram seus traços. Ela perdeu 10 kg, adotou um penteado mais moderno e mais ruivo, substituiu seus óculos de míope por lentes de contato. Ela cuida de sua maquiagem, sorri com mais frequência e usa palavras mais simples em público.

O “produto” Dilma logo estará pronto para venda. Lula lhe deixou de herança seu velho slogan de campanha, que já se ouve nos comícios do PT: “Brasil! Urgente! Dilma presidente!”

Tradução: Lana Lim
Fonte: Uol Notícias

ALGUÉM VAI TER QUE CEDER

•Março 26, 2009 • 1 Comentário

de Denilson Pereirah

Levando em consideração a máxima de que “na política, nada é definitivo”, a conjuntura piauiense para as eleições de 2010 segue a risca o quadro mais imprevisível de uma eleição que há muito não se via. São tantos partidos querendo disputar o mesmo cargo que a tal da base aliada que todo petista comenta foi pro espaço.

Vamos começar falando daquele que está em primeiro lugar nas pesquisas: JVC. O nome mais lembrado pelos piauienses em todas as pesquisas divulgadas (talvez pelo fato de o Paraíba ser sucesso em qualquer lugar) e ter investido muito na expansão de seu partido, o PTB, com muitas aderências de prefeitos no interior do estado, deu uma reviravolta no cenário político por ter sido o primeiro a se lançar no panorama como pré-candidato. E mais, o PTB detém atualmente 73 prefeitos e 409 vereadores, muita coisa não? JCV já mostrou que não entrou no páreo por brincadeira, e, só pra constar, dinheiro para bancar a sua campanha e de mais dois governadores ele tem.

Do outro lado, Wilsão, com cara de eterno governador em exercício, sendo positivista e simpático com todo jornalista “mala” que aparece perguntando quando sua candidatura vai decolar, ainda não mostrou pra que veio. Mas se engana quem pensa que sua campanha anda fraca. Como articulista e vice-governador, o sonho de dar as cartas no estado é antigo. A principal jogada de Wilsão também fora a captação de prefeituras e o fortalecimento das bases do PSB no interior do estado.

Marcelo Castro, do PMDB, saiu de gaiato lançando sua candidatura, que, segundo os próprios militantes peemedebistas seria uma forma de mostrar a força do “maior partido do Brasil”, já que durante todo o governo W.Dias, o PMDB foi o mentor intelectual de muitas jogadas políticas. Talvez os peemedebistas vejam ai, a oportunidade de recuperarem o espaço e a imagem defasada pelo partido enquanto só havia uma liderança estadual visível, o então senador da república, Mão Santa. Marcelo Castro e Cia estão dando “um tiro no escuro”, mas talvez saia até uma vaguinha para o senado, já que, seu maior aliado, o PT, está “com uma mão na vela e outra no soro”, como diria uma amiga jornalista, pela candidatura desastrosa de Antônio Neto. Além disso, deu um soco daqueles no “pé do estômago” de Mão Santa, que cedo ou tarde vai pedir suas contas do partido, para alivio de uns e desgraça de outros.

Próximo! Silvio Mendes, “o cara” da capital, com aquele jeito meigo e afável de tratar até os ambulantes da Frei Serafim (nada contra ambulantes), diz não ter interesse, mas sonho antigo do PSDB, o governo do estado, pode se concretizar através de uma boa campanha de marketing. Sinceramente, não creio que Silvio vai ter a coragem de deixar a prefeitura de Teresina para se aventurar num duelo de lulistas, se bem que ele tem um discurso bem parecido com o “Pai das esmolas”, mas seria loucura deixar à capital, pois o PSDB é fraco no interior do estado e os votos que ele tem na capital estão ameaçados se W.Dias se manter no governo e apoiar o “sem sal” do Antônio Neto.

Falando em Antônio Neto, é perceptível a influência dele junto ao governador do estado. Porque, pra ser indicado a pré-candidato de governo de estado, sem boa parte da população piauiense nem o conhecer, ou é muita coragem de W.Dias, ou só tendo muita influência mesmo. Pra quem já ficou pertinho de A.Neto olha pra ele e pensa: “Oh meu Deus, esse ‘bichim’ não vai pra lugar nenhum”. Mas ele é esforçado. Não tem o mesmo tato dos atuais candidatos que ai está, pois ele faz a linha “técnico” – um tipo de político que foi subindo de cargo por cargo dentro do partido que milita e não necessariamente teve de passar pela aprovação do povo disputando eleições, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff é dessa safra. Uma peculiaridade deste tipo de político é que eles sempre desempenham um bom papel em empresas ou secretarias importantes, como a Secretaria da Fazenda de A.Neto.

Não sei bem, mas algo me diz que essa candidatura não vai vingar. Seria mais estratégico apresentar a tendência mais recente na política aos piauienses e “empurrar” uma mulher rumo ao Palácio de Karnak. Uma dobradinha entre Dilma e uma piauiense, entende? Até Março de 2010 muita coisa pode mudar, não é verdade?

E o nosso “indiozinho”, Wellington Dias, onde vai parar nesta história? Tanto se falou sobre sua candidatura para o senado, mas sempre que é questionado desconversa, faz jogo-duro, diz que não sabe ainda sem rumo, uma hora diz que “sim” outra que “não”. Mas uma coisa é certa, “raposa velha não se deixa apanhar em armadilha”. E a oportunidade de se tornar Senador, pode sim, ser uma armadilha para W.Dias. Wellington Dias sabe que não ficando no governo até o fina, além de entregar a máquina ao PSB, fortalecendo Wilsão, pode até levar a vaga de Senador, mas sua influência e expansão do PT no estado diminui. O PT como a maioria dos partidos no Piauí sofre com a carência de lideranças. São sempre os mesmo. São sempre eles que aparecem na TV, dão entrevistas para rádios, jornais e internet. Mas, se o vosso digníssimo governador for egoísta o bastante para se estabelecer na carreira de político e quiser galgar vôos mais altos, vai deixar a “petezada” do Piauí. E assim o circo fica armado, pois é ele quem separa as muitas picuinhas internas que o PT tem (e sempre teve).

Outro grande fator da permanecia de W.Dias é o “sonho petista”, TERESINA. Não sei qual o tamanho do sapo que enterram no comitê do PT em Teresina, mas deve ter sido um cururu gigante. Com W.Dias até o final de seu mandato, a dedicação dele para a campanha de A.Neto ao governo do estado e de Antônio José Medeiros (isso mesmo, o Secretário de Educação) para o Senado vai ser a “grande sacada” do PT. Qualquer um dos Antônios entrando é lucro. Ai vem a pergunta, e Wellington? Wellington se mantém na articulação política do PT, quem sabe como presidente e assim vai poder está em todos os eventos oficiais e dar “pitaco” em tudo se mantendo na mídia. E dois anos depois, em 2012, o Chek-Mat, a cartada final, Wellington se candidata a prefeitura de Teresina. Só resta saber se o Projeto de desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores para o Piauí vai ser o mesmo para Teresina, se for, são vinte (longos) anos de muitas estradas, somente estradas.

SIMPLESMENTE VOCÊ

•Novembro 20, 2008 • 1 Comentário

CHAYANA DE AQUINO

Cada lembrança que eu tenho de você, me faz perceber que tudo que aconteceu entre nós estava atcaaaaiwns62zvn-j_pfcn5akpvytvi6fqlnjot4lxx2emcqwv5akkjdzrnntrywqw67gjjujemtry5-lztz2s4hhahajtu9vcayw35lx4qsefwvitbg6s7kaez5g1previsto. Desde do dia em que te conheci ate o dia em que você realmente passou a fazer parte da minha vida, com uma intensidade tão forte que ate me causava e continua me causando medo.

Uma intensidade que eu não conseguia e não consigo suportar dentro do meio peito, tanto que a todo o momento eu tenho que mostrar para o mundo, e para você o quanto essa felicidade que eu tenho em ter você na minha vida é imensa.

Uma felicidade que transborda, a cada momento em me que lembro do seu sorriso, da sua voz, do seu olhar, essa felicidade que faz com que o cada dia que passe, eu me torne uma pessoa mais completa, mais realizada, mais feliz.

Não somos felizes simplesmente quando passamos o dia todo sorrindo, ou de bom humor, nada disso, a felicidade pode ser encontrada em meio a lagrimas derramadas, a gritos de dor, a felicidade na verdade pode ser um sorriso de um amigo (a), um gesto de sua mãe, de seu pai, pode ser uma lembrança, um momento de atenção que você venha a ter.

A felicidade também pode ser nosso medo e nosso temor, por que em meio a esse medo temos a sorte de encontrar coragem. E em meio ao temor, encontrar uma mão pra que você se segure e se apóie.

Simplesmente você me fez perceber tudo isso, me fez perceber que a felicidade é a nossa casa, é o nosso quarto, é o nosso amigo (a), é nossa família, é nosso amado (a). A felicidade não tem explicação ela simplesmente acontece, de uma forma que você não pode evitar e nem mesmo entender.

Não tente levar sua vida de um jeito que nem mesmo você seja capaz de compreender apenas para satisfazer os outros, você tem que viver sua vida mesmo sendo da maneira errada, mais criada por suas próprias vontades. Cada palavra dita errada, cada sentimento mal interpretado, cada desejo não revelado, cada amor não vivido, cada ato não realizado, em fim, a felicidade é cada dia e cada segundo, a escolha é sua, se você quer sua companhia ou não.

Então escolha o que a de melhor em você, pois eu já escolhe o que a de melhor em mim, VOCÊ.

Boa Noite e Boa Sorte!

Caso Eloá: Seqüestro, cárcere privado e espetáculo midiático

•Outubro 27, 2008 • 3 Comentários

Sobre o Caso…

Durante toda a última semana, os olhos da mídia, principalmente a paulistana, estavam voltados para a Grande São Paulo, mais especificamente para um conjunto habitacional de Santo André. Lá, como todos estão cansados de saber, um rapaz de 22 anos, Lindemberg Alves, havia rendido e mantido em cárcere privado sua ex-namorada (Eloá), de apenas 15, e sua amiga Nayara, da mesma idade.

Mais uma vez, me fiz uma pergunta que já havia feito no caso da morte de Isabella Nardoni: por que, entre tantos outros casos semelhantes, este ganhou tamanha repercussão? E dessa vez, mais claro impossível: do papel de relatar os fatos, a mídia passou a agir como um combustível para insanidade do seqüestrador.

Alves, segundo disse o próprio coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, era um jovem que não tinha antecedentes criminais, e que estava passando por uma crise amorosa. “A conversa dele era inconstante. Dava uma de coitadinho, de pessoa sofrida, depois estava agressivo, depois compreensivo”, disse Félix em entrevista coletiva. Isso fazia do caso complicado e extremamente difícil, já que não era possível prever ao certo qual atitude seria tomada por ele.

Dentro deste quadro de instabilidade, em que um jovem desequilibrado, armado com dois revólveres, mantinha como refém a garota pela qual era apaixonado e por quem se sentia rejeitado, entra a mídia sedenta pelo “furo”, pelo “exclusivo” e troca os pés pelas mãos. Se sente no direito de, em posse do número de telefone do seqüestrador, entrar em contato com ele e, em um caso específico, exibir a conversa ao vivo.

O seqüestro começou na segunda-feira (13). Já na quarta (15), quando o caso já durava mais de 48 horas, a Rede TV! entrevistou Lindemberg Alves, por meio do repórter Rui Guerra. Mais tarde, a repórter Zelda Mello, da TV Globo, também usou do artifício e ligou para o seqüestrador. A entrevista foi exibida no jornal “SPTV”. A Folha Online também ligou e publicou matéria com entrevista de Alves.

O mais bizarro, no entanto, aconteceu também na Rede TV!, quando a jornalista Sônia Abrão, apresentadora do programa “A Tarde é Sua”, conversou ao vivo, sim, ao vivo com Alves e Eloá por telefone. A ligação caiu por várias vezes e Sônia garantia que sua produção não estava “prendendo a linha” da casa da jovem e que Lindemberg poderia ser contatado via celular pela polícia, caso fosse necessário. Um verdadeiro show de horrores.

Faça agora um exercício de imaginação: o rapaz estava acuado. A polícia cercava todo o local e não havia para onde fugir. Ele estava armado, cansado e instável, com medo de ser preso, de ser morto. Em meio às negociações, vários veículos de mídia fazem contato com o jovem. Será que tais telefonemas não afetaram o estado de ânimo do rapaz? Será que isso não deu a ele a sensação de poder?

Conversei com muitos colegas jornalistas sobre isso. Todos, repito, todos os profissionais com quem falei a respeito, se mostraram indignados e envergonhados com a atitude da mídia neste caso. Quem deu à imprensa poder de interferir de tal maneira no trabalho da polícia? Como assim entrevistar um seqüestrador armado, com duas reféns sob sua mira? De fato, dessa vez, me assustei com os rumos que o jornalismo parece querer seguir. Um dos colegas com quem conversei disse: “me irrita essa coisa de jornalista se comportar como soldado do quarto poder”. Interessante, não?

Findo o seqüestro com um desfecho trágico, a mídia busca culpados pelos tiros que atingiram Eloá e Nayara. Fala em demora da ação do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), em erro de estratégia. E quanto à sua própria culpa? Será que a mídia não teve sua parcela de culpa nesse desfecho? É correto o artifício de entrar em contato com o seqüestrador para entrevistas? Mais uma vez, a imprensa deu a uma notícia ares de espetáculo e, nesse caso, o tiro saiu pela culatra. Tomara que esse caso sirva para que a imprensa reflita e faça um mea culpa, e que não seja esse um precedente para outras coberturas que certamente estão por vir.

* Thaís Naldoni é jornalista, graduada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Com passagens pela Folha Online e Sportv, também atuou como repórter e secretária de redação da Revista IMPRENSA. Atualmente, é editora-executiva do Portal IMPRENSA e apresentadora do programa “Imprensa na TV”.

FONTE : PORTAL IMPRENSA

FENAJ

•Setembro 19, 2008 • Deixe um comentário

Em defesa do Jornalismo, da Sociedade e da Democracia no Brasil

A sociedade brasileira está ameaçada numa de suas mais expressivas conquistas: o direito à informação independente e plural, condição indispensável para a verdadeira democracia.

O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a julgar o Recurso Extraordinário (RE) 511961 que, se aprovado, vai desregulamentar a profissão de jornalista, porque elimina um dos seus pilares: a obrigatoriedade do diploma em Curso Superior de Jornalismo para o seu exercício. Vai tornar possível que qualquer pessoa, mesmo a que não tenha concluído nem o ensino fundamental, exerça as atividades jornalísticas.

A exigência da formação superior é uma conquista histórica dos jornalistas e da sociedade, que modificou profundamente a qualidade do Jornalismo brasileiro.

Depois de 70 anos da regulamentação da profissão e mais de 40 anos de criação dos Cursos de Jornalismo, derrubar este requisito à prática profissional significará retrocesso a um tempo em que o acesso ao exercício do Jornalismo dependia de relações de apadrinhamentos e interesses outros que não o do real compromisso com a função social da mídia.

É direito da sociedade receber informação apurada por profissionais com formação teórica, técnica e ética, capacitados a exercer um jornalismo que efetivamente dê visibilidade pública aos fatos, debates, versões e opiniões contemporâneas. Os brasileiros merecem um jornalista que seja, de fato e de direito, profissional, que esteja em constante aperfeiçoamento e que assuma responsabilidades no cumprimento de seu papel social.

É falacioso o argumento de que a obrigatoriedade do diploma ameaça as liberdades de expressão e de imprensa, como apregoam os que tentam derrubá-la. A profissão regulamentada não é impedimento para que pessoas – especialistas, notáveis ou anônimos – se expressem por meio dos veículos de comunicação. O exercício profissional do Jornalismo é, na verdade, a garantia de que a diversidade de pensamento e opinião presentes na sociedade esteja também presente na mídia.

A manutenção da exigência de formação de nível superior específica para o exercício da profissão, portanto, representa um avanço no difícil equilíbrio entre interesses privados e o direito da sociedade à informação livre, plural e democrática. Não apenas a categoria dos jornalistas, mas toda a Nação perderá se o poder de decidir quem pode ou não exercer a profissão no país ficar nas mãos destes interesses particulares. Os brasileiros e, neste momento específico, os Ministros do STF, não podem permitir que se volte a um período obscuro em que existiam donos absolutos e algozes das consciências dos jornalistas e, por conseqüência, de todos os cidadãos!

FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas
Sindicatos de Jornalistas de todo o Brasil

Boa Noite e Boa Sorte!

O Sexo e as Crianças

•Agosto 13, 2008 • 4 Comentários

A minha vida é uma monotonia. Trabalho, faculdade (quando vou), trabalho, partido, trabalho, campanha, trabalho, festas, amigos, cachorro quente (adoro!), cigarro e… Nossa! Acho que minha vida não é tão monótona assim, mas continuando, hoje um dia comum, de mês e ano comuns, vou a uma reunião (de campanha) aqui em um bairro periférico da cidade. Como de costume, cadeiras, carro de som, gente, e muitas crianças, com aquela frase decorada ‘Ei moço, me dá papel?’ (Juro, meu sonho é saber o que essas crianças fazem com esses santinhos).
Bom, estava eu sentado no carro com dois amigos, quando um deles é abordado por uma dessas crianças. Aparentava pouco mais de cinco anos, suja, descalça, e indaga ao meu amigo com ar de esnobe ‘Ei, o senhor é VIADO?’ Fiquei horrorizado, não com a criança, mas com toda a construção daquela imagem. Imagine um ser humano sem nenhuma formação, o que ela queria sabendo da opção sexual do meu amigo. Será se não era comum o contato dela com gays?
Ou se era estranho pra ela a presença dele ali? Fiquei arrasado, sou militante GLBTTT e nunca tinha ouvido nenhum depoimento parecido. Vocês devem estar se perguntando, porque ele ficou tão assustado com a situação? É natural sim, respondo eu, o que não é natural é a pobre criança, ter saído gritando ’Gente, tem um VIADO aqui!’ e todas elas foram lá observá-lo, ele ficou estupefato, antes de tudo ele não aparenta (não é afeminado) ser gay, outra, a criança sem educação alguma, ficou fazendo perguntas, que imaginem caro leitor, até eu ficaria com vergonha de fazer.
Esse alerta vai para país e mães. Por favor, eduquem seus filhos, a sociedade está cada vez mais moderna, a sexualidade não é mais um fator que influencie negativamente o ser humano e se tornará mais comum se ver gays, lésbicas e outros por ai, na farmácia, como atendente de um supermercado, ou até como seu chefe. Educação é o fator principal para os alicerces de nossa sociedade, e se você tem um filho ou filha, eduque-os, eles terão contato, na escola, no parquinho ou nas partidas de futebol (sim, nas partidas de futebol). Aprenda com o mundo e evolua com ele.
Allan Aquino
Acadêmico de Pedagogia / Floriano – Piauí

‘Eles’ não são mais os mesmos

•Agosto 4, 2008 • 1 Comentário

“Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba nossa lua, e, conhecendo nosso medo, arranca nossa voz da garganta.
E porque não dissemos nada.
Já não podemos dizer nada.”
, Maiakovski

Reflexo da modernização e crescimento acelerado do país, até ‘eles’ se profissionalizaram. Estou sendo preconceituoso, afinal de contas, porque ‘eles’ ficariam fora do ciclo econômico?
Os tempos são outros… E a marginalidade é outra. Está organizada. É uma empresa sólida e lucrativa. Tudo dividido hierarquicamente, sem nenhum pudor. E o pior. Nós não estamos acompanhando o ritmo de crescimento desses homens de negocio.
A mudança de assunto é necessária para o entendimento do restante do texto.
Fui assaltado dia desses. Estava com um amigo que veio da minha cidade natal visitar e passar o fim de semana conhecendo Picos. No domingo, ele viajaria as 22h, e antes disse resolvemos comer alguma coisa. Passamos por alguns locais, até que ele escolheu o que lhe parecia mais organizado. Uma demora pra chegar o garçom, outra pra chegar o pedido.
Alguns minutos depois que chegamos. Percebi que dois rapazes passaram por nossa mesa. O primeiro passou direto. O segundo passou e olhou pra trás firmemente. Nem me toquei. Pareciam tão inofensivos.
Minutos depois, nosso pedido chegou. Logo, a garçonete saiu da mesa. Logo, senti um soco na mesa. Logo, ‘eles’ saíram correndo. Logo, eu e meu amigo continuamos sentados, perplexos. Logo, aquele estabelecimento lotado de famílias e casais se voltou rapidamente pra nossa mesa. Logo, continuaram suas vidas. Levaram um celular e uma carteira de cigarros, quanto a isso nada a declarar.
Me senti inútil. E uma reação extremamente adversa aconteceu. Começamos a rir. Particularmente, ria de medo. Queria chorar e estava com vergonha do pessoal. Perguntas me lotavam a cabeça e a imagem do susto não saia em nenhum momento de meus olhos. Não sabia se estava com raiva dos assaltantes, ou se ficava com raiva de um comentário que veio da mesa a nossa frente. Uma mulher, sentada com seu namorado, olhou pra mim e disse: “A se fosse eu!”.
Me perguntei, e se fosse ela? Não teria acontecido nada. Provavelmente ela teria desabado no choro e seu parceiro continuaria sentado. Sabe por quê? Por que tanto eu, meu amigo, os casais e as famílias que ali estavam, esperavam ser roubados por alguém bem diferente. Não vou dar detalhes de como seria meu bandido perfeito, mas cada um tem sua consciência e sabe do estou falando.
Eles não são mais os mesmos. Se vestem bem, são agradáveis e estão organizados. Te humilham sem nem troca uma palavra com você, e não roubam só coisas materiais. Roubam a sua liberdade. E porque não dissemos nada. Já não podemos dizer mais nada.
Continuaremos a mercê? Por que, acredite, a situação não vai melhorar!
Boa Noite e Boa Sorte!